Sobre O Bonobo

O Bonobo é um restaurante vegano que busca difundir uma alimentação que não dependa da exploração de animais, inclusive seres humanos, e do ambiente. 
Somos uma cooperativa.
O Bonobo não é apenas um restaurante comum, é um esforço coletivo para difundir os ideais de libertação animal e humana, enquanto busca oferecer meios de sobrevivência para todas as pessoas que aqui trabalham. Somos cerca de 10 pessoas que, juntas, dividem todas as tarefas necessárias para manter o espaço funcionando, da administração à limpeza. Se você vem com freqüência ao Bonobo, já deve ter reparado que, em diferentes dias da semana, diferentes pessoas estão cozinhando. Qualquer membro do coletivo tem o direito de cozinhar, se desejar, ou de atender no salão. Tem gente que prefere atender as visitas, tem gente que prefere cozinhar, e isso é ótimo pois cada pessoa faz o que gosta. Mas as tarefas mais pesadas e que ninguém gosta de verdade, são divididas por todo mundo, como a limpeza, por exemplo. Todas as pessoas que trabalham em um determinado dia precisam, no fim do turno, deixar tudo pronto e limpo para quem for trabalhar a seguir. Como no Bonobo não há patrões lucrando em cima do trabalho das pessoas, conseguimos fazer com que todo mundo receba uma remuneração justa, sem se esgotar trabalhando. Isso permite que a gente se dedique também a outras atividades que também são importantes para nossas vidas, como desenho e pintura, ser mãe, música, estudar, participar de outros coletivos, jardinagem, marcenaria, etc.
Queremos a Libertação Animal, onde se inclui a Libertação Humana.
A partir do momento que temos a opção de ter uma alimentação diversificada e saudável sem produtos de origem animal, matá-los e aprisioná-los para obter alimento torna-se desnecessário. E causar sofrimentos a animais sem necessidade é uma crueldade, sem qualquer justificativa ética. Não podemos esquecer que seres humanos também são animais e pouco nos serve um veganismo que não esteja alinhado com os valores de libertação humana. Por isso o Bonobo é um espaço autogerido, horizontal, onde cada pessoa que aqui trabalha decide quantas horas quer trabalhar, quando quer trabalhar e quanto gostaria de receber pelo seu trabalho. Essa preocupação, é claro, se estende além do espaço físico do Bonobo. Temos o cuidado de sempre dar preferência a alimentos orgânicos comprados direto das famílias que os produzem, dessa forma a produtora recebe um preço mais justo pelos alimentos que cultivou e evitamos atravessadores que lucram em cima de agricultores e de pessoas em regime de escravidão assalariada.
Faça você mesma.
Se queremos que algo mude, temos que assumir para nós a responsabilidade de fazer isso acontecer. Se vemos algo sujo, vamos lá e limpamos. Se tem algo quebrado, vamos lá e consertamos. Se queremos algo que não existe, vamos lá e construímos! Assim como ninguém sabe o que queremos melhor do que nós mesmas, ninguém tem o direito de obrigar ninguém a fazer nada. Temos que reconhecer a nossa capacidade de mudar o mundo e que a única forma de construir o mundo que queremos é metendo a mão na massa. 
No Bonobo, cliente nem sempre tem razão.
Na verdade, nem gostamos de fazer esta divisão entre “clientes” e “pessoas prestadoras de serviço”. Cada pessoa é única, e portanto o relacionamento de quem trabalha no Bonobo com cada uma das pessoas que vem comer aqui, ou participar de outra atividade, também será sempre único. Tem gente que vem só pra comer e não gosta de conversar, tem quem de tanto conversar já virou amizade, e algumas pessoas que só vinham para comer acabaram se tornando parte do coletivo. Acreditamos que todas as pessoas devem ser igualmente respeitadas. Damos o melhor de nós para sempre tratar todo mundo com cordialidade e respeito, mas ninguém deve se forçar a ser simpática ou gentil com quem trata as pessoas de forma rude ou desigual. Entretanto, como todo mundo, estamos sujeitas a todas as emoções possíveis. Podem haver dias em que não estamos nos sentindo tão bem, que não estamos a fim de conversar, e seria desonesto com as outras pessoas e com nós mesmas, forçarmos uma alegria que não é sincera. Mas, independente de estarmos com um sorriso estampado no rosto ou não, procuramos nunca desrespeitar ninguém.
Cometemos erros.
Somos seres humanos, podemos errar. Talvez ainda mais que em outros estabelecimentos, “tradicionais”, onde ninguém pode errar por medo de ser demitida. Não seguimos a lógica do “mercado de trabalho” – onde pessoas são tratadas como objetos que se não atingem as metas do “dono” da empresa, são descartadas. Aqui, gostamos de, dentro das nossas possibilidades, dar oportunidades a todo mundo, quer a pessoa já tenha experiência ou não. Ninguém deve receber uma punição por errar, os erros são a nossa oportunidade de aprender, de evoluir, de crescer. E quando a outra pessoa erra, é o melhor momento para exercitarmos nossa capacidade de sermos compreensivas, compassivas e tolerantes.
 
A comida pode acabar.
Às vezes podemos fechar antes do horário normal de encerramento. Para não acontecerem grandes desperdícios de alimentos, fazemos uma estimativa da média de refeições e cozinhamos um pouco acima disso. Por isso, podemos fechar mais cedo em dias de grande movimento, quando o número de pessoas que vem comer é bem acima da média. Isso pode ser um inconveniente para quem veio até aqui para comer, mas a única alternativa a seria produzir sempre muita comida além da média o que acarretaria em grandes quantidades de alimento sendo desperdiçadas. Além dos impactos ambientais e sociais desse desperdício, isso também impactaria no preço das refeições, que teria que subir. Também precisamos respeitar nossos limites pessoais, pois cozinhar em grande quantidade, além de administrar o espaço, realizar a limpeza, compras e diversas outras tarefas, é um trabalho árduo e cansativo. Não podemos esquecer que trabalhamos para viver, e não vivemos para trabalhar.
Água não se vende.
Não, não vendemos água mineral, pois ninguém jamais deveria ter que pagar por água potável, que é um bem natural que deveria estar sempre disponível a todo mundo. Além disso, a comercialização de água mineral gera enormes quantidades de resíduos (da produção do plástico das garrafas até a poluição emitida pelos caminhões que fazem a sua distribuição) que poluem ainda mais as fontes naturais da água e degradam o ambiente de forma geral.
Não aceitamos cartões.
Operadoras de cartão de crédito são multinacionais gigantescas que lucram bilhões com a dívida de outras pessoas. Isso faz com que quem já trabalha muito para sustentar seus patrões e governos, tenha ainda que sustentar empresas bilionárias que não produzem nada de útil para a humanidade. Também são inimigas da liberdade de expressão, como ficou claro quando bloquearam todas doações ao Wikileaks quando o mesmo liberou documentos vazados das embaixadas norte-americanas que mostravam sua influência e pressão sobre os governos de outros países. Operadoras de cartões de crédito também rastreiam nossos movimentos e hábitos e compartilham esses dados com terceiros, como o Facebook, usando todas essas informações para nos controlar e vender produtos. Além de tudo isso, se aceitássemos cartões, teríamos que rever nossos preços, uma vez que teríamos que pagar taxas para essas operadoras.
Transgênicos não!
No Bonobo evitamos o uso de transgênicos. Pois com eles as pessoas que produzem alimentos são forçadas a sempre comprarem sementes ao invés de produzirem as suas próprias como vêm fazendo há milhares de anos, tornando-as dependentes e enchendo os bolsos de corporações bilionárias. Transgênicos como a soja da Monsanto são projetados para resistir a altas quantidades de herbicidas e outros agrotóxicos. A planta pode sobreviver, mas milhões de animais morrem envenenados, e esse veneno também vai parar em rios, lagos e oceanos  e nos nossos pratos de comida. E para “garantir” que seus produtos transgênicos são seguros, Monsanto, Bayer e outras corporações fazem testes com animais. Esses testes, além de serem cruéis — torturando e matando milhares de animais — não comprovam a segurança desses alimentos, pois além das diferenças nos organismos de humanos e outros animais esses testes são manipulados através do alto poder financeiro dessas corporações.  

Coletivo e restaurante antiespecista e libertário.