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Redução De Danos, Quarta, Dia 13/12

Não só crack, cocaína e outras drogas ilícitas, mas também café, cigarro, álcool, até mesmo redes sociais e smartphones. Todas as pessoas tem um vício. Como podemos diminuir o impacto dele nas nossas vidas?

Essa é a proposta desse encontro. Após a explanação e a apresentação de uma pessoa especialista no assunto tanto no ponto de vista teórico quanto prático formaremos uma roda de conversa aberta.

Teremos lanche vegano e bebida para compartilhar.

Evento com corresponsabilidade financeira, contribuição espontânea, consciente e possível, sendo o possível diferente para cada pessoa.

Te esperamos!

Quarta-feira, 13 de dezembro das 19:30 às 22:00

Solidariedade Com Todas Pessoas Que Lutam Pela Liberdade

Quando a polícia utiliza a posse de livros e outros materiais políticos como “evidências” de crime, quando inventa que materiais recicláveis são ingredientes para construção de impossíveis artefatos incendiários, nenhuma pessoa que preze pela liberdade deve ficar passiva. É muito comum que as pessoas pensem que nunca terão problemas com a polícia, pois não fazem nada de errado. Mas quando a polícia começa a perseguir idéias – e, tendo a história como testemunha, sabemos que ela invariavelmente irá perseguir idéias que ameacem o status quo – ninguém está a salvo.
De fato quando, na última quarta-feira, a polícia cumpriu 10 mandados de busca e apreensão e rotulou diversos grupos libertários de Porto Alegre como “quadrilheiros do mal”, ela atacou todas as pessoas que acreditam na liberdade. Um desses grupos, por exemplo, é o pessoal da Ocupação Pandorga, que promove atividades culturais, circenses e que realiza trabalho com as crianças da comunidade vizinha, Cabo Rocha. Outro “quadrilheiro do mal”, o Instituto Parrhesia, trabalha na defesa dos direitos humanos e já foi inclusive homenageado pela Associação de Juízes do Rio Grande do Sul (AJURIS). Vivemos uma perseguição política que coloca em xeque todas as pessoas que sonham e principalmente as que lutam por um mundo mais igualitário, livre e justo.
O anarquismo é historicamente alvo de perseguição por todos os tipos de governo, por todos estados, sejam eles ditaduras ou democracias, capitalistas ou comunistas, pois o anarquismo é a busca pela liberdade, pelo fim de toda e qualquer opressão. Então é óbvio que os estados, cujo principal papel é controlar e oprimir, irão sempre perseguir anarquistas.
Quem anseia por liberdade não pode ficar impassível quando outras pessoas são punidas por terem ousado buscar essa mesma liberdade. Se fizermos isso, seremos cúmplices de nossos opressores. A perseguição política que companheiras e companheiros anarquistas estão sofrendo é uma perseguição a todas as pessoas que acreditam na liberdade. Liberdade real, não liberdade de consumo ou de voto que tentam nos fazer acreditar que é toda liberdade a que temos direito. 
Toda solidariedade às pessoas que lutam e por isso são perseguidas pelo Estado! O sonho da anarquia jamais morrerá enquanto formos capazes de sonhar!

 

O Capitalismo Que Tudo Coopta

Quando vemos alguém aproveitando idéias que viu aqui no Bonobo para colocá-las em prática em outro lugar, normalmente, ficamos empolgadas. Afinal, um dos nossos objetivos é ajudar a disseminar os ideais de libertação animal, humana e da Terra, espalhar práticas antiautoritárias e fortalecer a solidariedade e o apoio mútuo. Para nós, quanto mais essas idéias estiverem espalhadas pelo mundo, melhor. Por isso quase sempre ficamos felizes quando vemos outras pessoas copiando coisas que viram aqui, idéia boa é pra ser copiada mesmo (nós mesmas copiamos quase tudo que tem aqui no Bonobo de outros movimentos e espaços que admiramos).
Quase sempre.
Ficamos tristes quando vemos idéias em que acreditamos serem cooptadas por capitalistas. Na última semana, descobrimos que um estabelecimento comercial dentro de um shopping center à céu aberto na Zona Norte de Porto Alegre havia feito um mural inspirado no nosso quadro “Como Fortalecer a Sua Comunidade”. Num primeiro momento, até achamos massa, que também estavam difundindo essas idéias por lá. Mas daí percebemos que essas mesmas idéias, levemente alteradas, dentro de um contexto completamente diferente podem assumir um significado distinto. Se por um lado a nossa intenção era fortalecer as relações humanas dentro de uma comunidade, incentivando a solidariedade e o apoio mútuo através da ação direta, por outro lado, essas mesmas palavras dentro de um espaço estritamente capitalista num bairro de classe alta podem sustentar um discurso de gentrificação e higienização. 
Se comparamos os dois textos lado a lado notamos diferenças sutis, mas que alteram significativamente a mensagem. Em primeiro lugar, a palavra comunidade foi substituída por bairro. Comunidade implica uma rede de relações mutuamente dependentes, pessoas que se conhecem e apoiam umas às outras. Já bairro simplesmente denota um espaço físico, mas não diz absolutamente nada sobre o tipo de relações que existem ali. Essas relações podem até mesmo não existir. Depois, notamos a ausência de algumas frases, que provavelmente não por coincidência, são todas as frases que tratam de apoio mútuo e solidariedade: “Ofereça ajuda aos seus vizinhos”, “Dê comida a quem está com fome”, “Compartilhe o que você tem de sobra”, “Busque o entendimento”,  “Cozinhe a mais e compartilhe”, “Peça ajuda quando precisar”. 
Como resultado, sentimos que usaram uma versão aguada da idéia original para passar uma imagem de estabelecimento “moderno”, “descolado”, afinado com as tendências mundiais de ocupação dos espaços públicos, para simplesmente manter o status quo, manter seus privilégios e continuar lucrando. Algo semelhante aconteceu com o Dia Mundial Sem Carro, movimento mundial que luta contra a hegemonia do automóvel nas grandes cidades. A rede de fast-food McDonald’s, recentemente realizou uma campanha publicitária aproveitando o Dia Mundial Sem Carro para vender o seu produto. No anúncio a rede afirma que nesse dia, as pessoas poderiam passar no Drive-Thru “do jeito que quiserem” e a imagem que acompanha mostra uma menina empunhando uma espada montada em um unicórnio de patins. Afinal um mundo com menos carros é fantasia, né? E querer um mundo assim só pode ser coisa de maluco.
O capitalismo historicamente tem cooptado os movimentos sociais para manter os negócios fluindo. Ele se apropria de algumas mensagens desses movimentos para ganhar legitimidade, continuar lucrando, ao mesmo tempo em que empurra para a frente qualquer mudança significativa no sistema. Isso aconteceu com o movimento feminista dos anos 60, que foi utilizado pelo capitalismo para vender revistas de comportamento, minissaias e anticoncepcionais, e em seguida com o movimento negro nos anos 70, que foi diluído e usado para vender a música Disco e uma infinidade de outros produtos associados à cultura das ruas.
Nas últimas décadas o capitalismo tem se apropriado do movimento ambiental e mais recentemente dos movimento de ocupação dos espaços públicos e até mesmo do veganismo. Temos empresas oferecendo sacolas de pano, refeições veganas, promovendo festas de rua, falando de bicicleta e com um discurso muito semelhante ao nosso mas que, se prestarmos atenção, veremos que é uma versão aguada que não ataca a raiz dos problemas. Essas empresas não têm a menor intenção de deixar de lucrar com a exploração de pessoas, dos animais e da Terra, pelo contário pretendem mantê-lo a qualquer custo. O fato de um restaurante oferecer opções veganas no cardápio não muda muita coisa se ele continua lucrando com a exploração de pessoas e animais. 
Precisamos sempre prestar atenção para não sermos enganadas pelos sedutores discursos do capitalismo. Temos que ter em mente que o que importa não é o discurso, mas as ações. Nem mesmo este texto tem muito valor se não for sustentado por práticas condizentes com estas palavras. Olhe quem está falando e com que intenções. Questione tudo. E, mais importante, lute pelo que você acredita.